sexta-feira, 20 de julho de 2018

Velho é a mãe!!!!! A Gerontologia explica!

Imagem Pixabay

Pois é, o que é ser velho no mundo de hoje? O que antes era decadência física, invalidez, momento de descanso e quietude, está se tornando um momento de lazer, próprio à realização pessoal daquilo que ficou incompleto na juventude. Claro que não é sempre assim, mas aquele padrão do velhinho alquebrado esperando os dias passarem até a morte chegar, com certeza mudou.

Que bom, porque afinal até 2025 segundo as projeções seremos mais de 32 milhões de pessoas com mais de 60 anos. Isso sem contar que a proporção de pessoas com mais de 80 anos também apresenta um significativo aumento. O Brasil será a 6ª. população de idosos do mundo.

Na verdade, está surgindo uma nova categoria social, um novo conceito da chamada “3ª. Idade”.

Século XX - século do crescimento demográfico, Século XXI - século do envelhecimento demográfico.

Fato. Apesar disso a sociedade continua com atitudes preconceituosas em relação ao processo de envelhecimento, considerando o idoso quase que um estorvo, um ser dependente e sem valor para uma sociedade produtiva.

É aí que entra a Gerontologia, uma ciência multidimensional que aborda o processo de envelhecimento em suas múltiplas facetas - físicas, biológicas, psíquicas, emocionais, sociais, culturais, ambientais, políticas e econômicas. Multidisciplinar, engloba médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, cuidadores e família, esta última fonte primária de suporte informal ao idoso.

Ela vem meio que na contramão do que se faz no mundo atual, com profissionais cada vez mais especialistas, que não conversam entre si, como se o Ser Humano fosse uma máquina e não uma pessoa a ser estudada, que não pode ser de maneira alguma, fragmentada. O objeto do estudo é pluridimensional e geralmente a visão dos profissionais é unilateral.

Como muitos devem saber eu tenho uma mãe com 88 anos, que sofre de Alzheimer há 4. No processo da doença dela passamos por várias fases, da negação, da pena, da raiva, da revolta, enfim, um turbilhão de sentimentos que acabam gerando isolamento e tristeza não só para o paciente, mas também aos familiares cuidadores.

No meu caso, gerou curiosidade, como dar melhor qualidade de vida a ela, como entender esse novo ser, tão diferente daquela mulher forte e independente que eu conheci como mãe? Por isso dediquei uma boa parte do meu tempo este ano ao estudo da Gerontologia.


Imagem Pixabay

Viver e envelhecer: um desafio fundamental, afinal “o que é ser velho?

É importante saber que existem diferentes fases no envelhecimento, e cada uma delas requer cuidados diferentes. Com a idade chegam as doenças crônicas, (hipertensão, diabetes, artrite, insuficiência renal, osteoporose, demências), afetando as capacidades funcionais da pessoa, criando algum grau de dependência para a realização das atividades diárias.

Mas as doenças crônicas são incapacitantes? Atualmente não, se tratadas se convive bem com elas, mas se fossem evitadas não seria bem melhor?

Idosos não são prioridades para as políticas sociais e econômicas do nosso país e até mesmo as famílias, que sempre se responsabilizaram pelos cuidados, mudaram. A responsabilidade de cuidar cabia à mulher, (esposa, filha, nora, irmã, etc.). Hoje a mulher trabalha fora, tem compromissos profissionais, não quer ou não pode abandonar seu emprego.

Os residenciais para idosos são caríssimos e deixam muito a desejar nos cuidados de seus internos. Experiência própria viu gente? Aparentemente são hotéis especializados, mas continuam com o ranço dos asilos para velhos, pecando no atendimento, na alimentação, na medicação e pior na atenção que cada um deles precisa. Muitas vezes não respeitam a dignidade da pessoa, principalmente os mais dependentes (necessidades fisiológicas básicas, higiene e saúde, abandono, desqualificação de sua personalidade, infantilização, sem direito a ser ouvido ou negação do espaço físico onde se sinta seguro). Teriam a dupla função de complementar ou substituir a família, mas esquecem o sentimento de perda e saudade dos seus espaços familiares, amigos, vizinhos, etc.

Uma nova perspectiva para o envelhecimento passa por novas políticas sociais, pelo entendimento que a Gerontologia nos dá. Prejuízos mentais ou físicos dos idosos podem ter tratamentos médicos adequados ou além da Medicina, superados por políticas e programas de reinserção social do idoso e políticas de educação e sensibilização da sociedade em que vivemos.

E o que a Gerontologia tem a ver com a minha área: alimentação consciente?

Vimos que as doenças crônicas costumam se instalar nessa fase da vida, mas será que os cuidados com a saúde (exercícios e alimentação) não poderiam pelo menos retardá-las?

A Gerontologia promete um novo estilo de vida para a 3ª. Idade, vendo a pessoa como um todo, afinal envelhecer bem depende de vários fatores: bons pensamentos, cuidados físicos, saúde, inclusão social e claro, uma boa alimentação. Tudo parece igual, não é? Afinal isso é importante desde a infância.

Mas no quesito alimentação não podemos enxergar o idoso como um adulto comum. Tudo sofre alterações: o apetite, a dentição, o paladar, as preferências, a visão. Texturas, aromas, temperatura, cores são ferramentas importantíssimas para despertar neles a vontade de se alimentar. O mesmo acontece com a água, o sal, o açúcar, como substituir quando o idoso tem restrições?

Você já pensou que uma toalha florida ou um prato com muitos desenhos pode confundir a visão do idoso, dificultando sua alimentação? Que fazer um idoso se hidratar passa a ser uma missão quase impossível, porque ele não sente sede?

A convivência com pessoas na hora da alimentação, recorda as refeições em família, as brincadeiras e ele se sente acolhido, amado. Nessa idade as pessoas já sofreram perdas importantes (pais, cônjuge, filhos, irmãos) e nem sempre digeriram essas perdas. Como os cuidadores, sejam eles da família ou profissionais devem lidar com isso?

Envelhecer bem depende de nossas adaptações ao longo da vida, a criação de novos hábitos, lazeres, cultivar laços afetivos além da família. O desafio é viver novas aventuras, não perder a alegria pela vida. E a hora de começar é Já!

Nadia Cozzi
Especialista em Consciência Alimentar e Desenvolvimento Humano



sexta-feira, 13 de julho de 2018

Projeto Atados promove Copa de Futebol entre ONGs de São Paulo

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Evento será realizado no Parque Dom Pedro II e trará times de futebol sem distinção de gênero, no local haverá um shopping social que fará doações de agasalhos

O Projeto Atados promoverá no dia 22 de Julho, a Copa das Causas, onde diversas ONGs se reunirão. Cada uma com seus times de futebol sem distinção de gênero. O evento ocorrerá no campo do Parque Dom Pedro II no Centro de São Paulo, no local haverá também o Shopping Social que fará doações á pessoas em situações de rua. 

O evento é totalmente gratuito e tem como objetivo celebrar projetos e causas sociais, além de estimular pessoas a circular nesse espaço tão esquecido. O Horário da programação será das 9hs ás 17hs.

O campeonato ocorre em clima dos jogos de futebol da Copa do Mundo e terá duas categorias, Golzinho, aptos a participar 4 times de organizações e projetos sociais com no mínimo 7 atletas que tenham até 14 anos, sem distinção de gênero. Os jogos desse grupo acontecerão como os típicos futebol de rua, em uma metade do campo oficial e sem goleiro(a). A categoria Golzão com 8 times, cada um com 13 atletas acima de 15 anos. Os jogos do segundo grupo acontecerão no campo inteiro de futebol, devido ao alto número de jogadores e intensidade física.

O Parque Dom Pedro tem uma grande concentração de moradores de rua, e para ajudar essas pessoas a se protegerem do frio o evento conta com o Shopping Social, onde pessoas em situação de rua poderão escolher os itens que precisam como agasalhos em geral e produtos de higiene. 

A loja social está sendo formado através de doações arrecadada pelos Atados. A liberdade de escolha dos itens pelos beneficiados tem como finalidade elevar a autoestima, fazer com que cada um deles sinta-se acolhido e digno de escolher as peças do seu gosto resgatando um pouco da dignidade.

O Evento é organizado totalmente de forma voluntária pelo Atados, além de um financiamento coletivo online em que pessoas doamquanto podem. https://secure.juntos.com.vc/pt/copadascausas

Segundo o organizador da Copa, o voluntário Bernardo Carvalho, a ideia foi espelhada em um evento semelhante feito a 4 anos atrás e que rendeu bons frutos “ Em 2014 fizemos a Copa dos Refugiados com muitos voluntários, desse evento surgiu a ONG Abraço Cultural, escola de idiomas onde os professores são refugiados”.

O Atados é uma plataforma social online que conecta as pessoas á oportunidades de voluntariado em causas. Atua em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Distrito Federal. A Instituição tem o propósito de agregar pessoas e gerar recursos para fortalecer a atuação de organizações em diversas causas sociais, além de realizar ações e eventos de voluntariado. São mais de 1.300 ONGs cadastradas e 75 mil usuários. https://www.atados.com.br/

Algumas ONGs que estarão presente são: Lutando pelo Futuro, quixote, Abrigo Zancone, Rosa Negra ADF, Atados, Abraço Cultural entre outras. Haverá também um time em aberto aos frequentadores do Parque. Serão fornecido lanches á todos os presentes.

Local: Parque Dom Pedro II, Praça Cívica Ulysses Guimarães – Centro, São Paulo – SP, 01026 – 010 A o lado do metrô Pedro II e do Terminal PQ Dom Pedro II 

Contato da organização: bernardo@atados.com.br (11) 97265-3992 Bernardo Carvalho 

Assessoria de Imprensa: bruno.araujo1212@hotmail.com Cel: (11) 98131-4117 Bruno Araújo

terça-feira, 26 de junho de 2018

O que você tenta possuir, possuirá você

Fonte: Pensar Contemporâneo




É provável que, em algum momento da sua vida, você quisesse muito ter algo. Se você se lembrar, vai concordar que sua mente estava obcecada com isso, alcançando aquela coisa que lhe parecia o elixir da felicidade. Você não pensava em mais nada.

Naquela momento, o que você queria possuir, na verdade, estava lhe possuindo, em um sentido literal, porque sua mente havia entrado em um tipo de túnel no qual só havia espaço para um objetivo e sua gama de interesses havia sido reduzida para obtê-lo.

Por essa razão, os grandes filósofos nos alertam há séculos a respeito de uma verdade tão simples quanto esquecida: o que você tenta possuir possuirá você. E eles não se referiam apenas a posses materiais, mas também a um relacionamento com outra pessoa ou mesmo a alcançar um certo status social.


Aparigraha: A prática da não-posse e desprendimento

O jainismo e a ioga encorajam seus seguidores a limitar suas posses aos fundamentos e, no taoismo e no budismo, o desapego é praticado. De fato, em sânscrito há uma palavra para se referir a não-possessão: Aparigraha . De acordo com esses sistemas filosóficos, não devemos nos apegar a coisas, mas estar conscientes de que elas vêm e vão, então, se apegar obsessivamente a elas só causa sofrimento.

Isso não significa que não podemos aspirar a certas coisas. A “visão de túnel” pode até ser benéfica quando tivermos que terminar um projeto importante porque nos mantém focados em nosso objetivo. No entanto, podemos fazê-lo de uma posição distanciada, o que nos permitirá continuar a aproveitar a vida e evitar o sofrimento desnecessário enquanto perseguimos um determinado objetivo.

Podemos entender melhor essa mensagem pensando em como reagimos quando colocamos nossa mão no fogo. Se a colocarmos perto demais e nos queimarmos, reagiremos instintivamente removendo-a imediatamente. Isso porque experimentamos dor física que causa uma reação física.

No entanto, o sofrimento emocional não acontece da mesma maneira. Mesmo que alguém esteja nos machucando ou perseguindo um certo objetivo, isso está causando um mal-estar profundo, continuamos com a mão sobre o fogo e, em muitos casos, nem sequer contemplamos a possibilidade de retirá-la. Assim, acabamos alimentando nosso próprio sofrimento, insatisfação e infelicidade.


As filosofias orientais nos dão um segredo muito simples: quando buscamos alguma coisa, seja ela qual for, gera esse nível de sofrimento, devemos então retirar nossa mão do fogo. Essa é a chave para não cair no apego doentio e impedir que as coisas acabem nos possuindo.

Os riscos da identificação excessiva

O perigo da posse não termina quando conseguimos o que queremos. Pelo contrário, em alguns casos, ter esse objetivo, começar esse relacionamento desejado ou alcançar um certo status social é o primeiro passo para a desintegração do “eu”.

Quantas vezes o relacionamento de um casal acaba gerando uma dependência emocional tão forte que a personalidade de um dos integrantes é praticamente engolfada pelo outro? Quantas vezes a pessoa acaba desaparecendo por trás do papel social que o novo status adquirido lhe confere, esquecendo quem ele é?

Com os produtos, não fazemos melhor. De fato, um dos inimigos mais terríveis que gerou consumismo e publicidade, entendido como seu canto de sereia, é nos fazer identificar com as coisas que compramos, a ponto de nossa identidade e valor serem reduzidos ao que que podemos comprar e mostrar para os outros.

Os produtos mais desejados, para os quais as pessoas estão dispostas a fazer filas e filas a pagar preços exorbitantes, são aqueles que prometem um status diferente, mudando para um nível mais alto de felicidade. Esses produtos não são simples atualizações de tecnologias antigas, mas prometem uma “atualização de nossa identidade” porque a anterior se tornou obsoleta e não gostamos mais dela. E isso significa que nós viemos nos ver e, o que é ainda pior, nos valorizarmos, através do que podemos possuir.

Nesse ponto, a solução é óbvia: não somos nossas coisas, mas tampouco somos os relacionamentos que mantemos ou o status social que alcançamos. Tudo isso faz parte da nossa vida, mas o nosso “eu” é muito mais rico. Lembremo-nos sempre da frase do poeta italiano Arturo Graf: ” Quanto mais o homem possui, menos ele se possui “.

Traduzido de Rincón de la Psicología

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Viola enluarada, enluarando sempre!



Guilherme Moscardini (São Paulo - SP) canta "Viola Enluarada" (Marcos Valle / Paulo Sérgio Valle) no palco do Sr. Brasil. Músicos acompanhantes: Bruno Duarte (violão) e Raphael Cortezi (percussão).

‘Ficar em silêncio e caminhar são hoje em dia duas formas de resistência política’, diz pensador francês David Le Breton




Doutor em Sociologia pela Universidade Paris VII e professor na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Ciências Humanas Marc Bloch, de Estrasburgo, o pensador francês David Le Breton (Le Mans, 1953) encarna como poucos de seus contemporâneos a melhor tradição intelectual de seu país. Na Espanha, publicou com êxito livros como El silencio, Elogio del caminar e Desaparecer de sí: una tentación contemporánea, com os quais aposta em formas concretas de resistência diante da desumanização do presente.

A entrevista é de Pablo Bujalance Málaga, publicado por Diario de Sevilla e reproduzido por Desenhares, 21-10-2017. A tradução é de Sílvio Diogo. E publicado em IHU Unisinos.
Eis a entrevista:


Permita-me uma pergunta um tanto primária para começar: você defende o silêncio como forma de resistência, mas de onde nasce o ruído?

Boa parte da nossa relação com o ruído procede do desenvolvimento tecnológico, especialmente em seu caráter mais portátil: sempre carregamos sobre nós dispositivos que nos recordam que estamos conectados, que nos avisam quando recebemos uma mensagem, que organizam os nossos horários com base no ruído. Esta circunstância veio incorporar-se às que já haviam tomado forma no século XX como hábitos contrários ao silêncio, especialmente nas grandes cidades, governadas pelo tráfego de veículos e por numerosas variedades de contaminação acústica. Neste contexto, o silêncio implica uma forma de resistência, uma maneira de manter a salvo uma dimensão interior frente às agressões externas. O silêncio permite-nos ser conscientes da conexão que mantemos com esse espaço interior, o silêncio a visibiliza, enquanto o ruído a esconde. Outra maneira de nos conectarmos com o nosso interior é o caminhar, que transcorre no mesmo silêncio. O maior problema, provavelmente, é que a comunicação eliminou os mecanismos próprios da conversação e se tornou altamente utilitarista com base nos dispositivos portáteis. E a pressão psicológica que suportamos para os armazenarmos é enorme.

É mais fácil cultivar e fomentar o silêncio no Oriente, em relação à Europa e aos Estados Unidos, por exemplo?

Sim, na tradição japonesa existe uma noção muito importante de disciplina interior, cristalizada em sistemas de pensamento como a filosofia zen. Digamos que no Oriente há muito caminho percorrido, mas as invasões contra as quais convém opor resistência já são as mesmas.

O que você responderia a quem sustentasse que o silêncio é uma confissão de ignorância?

O silêncio é a expressão mais verdadeira e efetiva das coisas inomináveis. E a tomada de consciência de que há determinadas experiências para as quais a linguagem não serve, ou que a linguagem não alcança, é um traço decisivo do conhecimento. Nesse sentido, tradições como a cristã, em que o silêncio é muito importante, tornam-se reveladoras: a sabedoria dirige-se a compreender o que não se pode dizer, o que transcende a linguagem. Nessa mesma tradição, o silêncio é uma via de aproximação de Deus, o que também se pode interpretar como um conhecimento. Podemos utilizar o silêncio para nos conhecermos melhor, para nos distanciarmos do ruído. E este é um valor a reivindicar no presente.

Sobre o desaparecer de si, penso na psicologia construtivista e em autores como Jean Piaget. Seria possível formular uma psicologia da desconstrução para a personalidade?

Sim, é possível chegar a isso por meio de uma disciplina, de um exercitar-se no silêncio. Como disse antes, no Japão esta disciplina é algo muito comum. Podemos ir abrindo na nossa rotina diária espaços para o silêncio, para meditar, para nos encontrarmos com nós mesmos, e com a disciplina adequada esses espaços serão cada vez maiores. A minha melhor experiência nesse sentido, a definitiva, foi no Caminho de Santiago: quando cheguei enfim a Compostela, compreendi que eu havia me transformado completamente, depois de numerosos dias em marcha e em absoluto silêncio. Foi um renascimento.

Na França, vocês possuem uma grande tradição do caminhar com Balzac e a figura do flâneur.

Sim, o caminhar nas cidades, o vagar sem uma meta concreta. Não apenas Balzac, também Flaubert o defendia. E para os situacionistas, isso se converteu num assunto fundamental. Caminhar é outra forma de tomar consciência de si, de reparar no próprio corpo, na respiração, no silêncio interior. Na Idade Média havia aqueles que se dispunham intensamente a caminhar no deserto. Porém, a prática do caminhar nas cidades encerra conotações relacionadas ao prazer. Trata-se de desfrutar daquilo que você percebe, de se deleitar com os atrativos que a cidade lhe oferece pelos sentidos. É uma atividade hedonista. Jean Baudrillard e os intelectuais de orientação sartriana também o definiram assim, como uma prática contrária ao puritanismo.

É por essa qualidade de resistência que se tacha de louco quem caminha sem rumo?


Sim, é o que acontece. E por isso o caminhar, como o silêncio, é uma forma de resistência política. No momento de sair de casa, de movimentar-se, você de imediato se vê diante da interferência de critérios utilitaristas que evidenciam perfeitamente aonde você deve ir, por qual caminho e por qual meio. Caminhar porque sim, eliminando da prática qualquer tipo de apreciação útil, com uma intenção decidida de contemplação, implica uma resistência contra esse utilitarismo e, ocasionalmente, também contra o racionalismo, que é o seu principal benfeitor. A marcha lhe permite advertir como é bonita a Catedral, como é brincalhão o gato que se esconde por ali, as cores do pôr-do-sol, sem qualquer finalidade, porque toda sua finalidade é esta: a contemplação do mundo. Frente a um utilitarismo que concebe o mundo como um meio para a produção, o caminhante assimila o mundo que as cidades contêm como um fim em si mesmo. E isso, claro, é contrário à lógica imperante. Daí a vinculação com a loucura.

Entretanto, com a sua transformação em centros comerciais, e penso no próprio coração de Málaga, as cidades não se tornaram os piores inimigos dos caminhantes?

Sim, você tem razão. De fato, todas as grandes cidades, seja Paris ou Tóquio, já se transformaram em superfícies comerciais. É muito importante que as cidades encontrem um equilíbrio entre os recursos que garantam a sua prosperidade e a qualidade de vida dos que nelas residem. De outra maneira, as cidades tornam-se entidades desumanizadoras. O fato de caminhar por suas ruas sem nenhum interesse em comprar ou em gastar dinheiro, somente em vagar sem rumo, daqui até ali, porque sim, também é uma forma de deixá-las mais humanas, de rebelar-se contra as ordens que convertem todas e cada uma das interações humanas num processo econômico.

De volta ao silêncio: a indústria cultural não foi um dos principais canais do ruído no último meio século?

Sim, é isso. Estou de acordo. Em meu livro El silencio me ocupava desse assunto. Porque, afinal de contas, a indústria cultural vem a ser uma forma do poder político. Uma atividade cultural teria de estar encaminhada para que cada um se encontrasse consigo mesmo, se reconhecesse em seu interior e iniciasse um diálogo íntimo sem sair de si, valendo-se dos instrumentos que a cultura deveria pôr ao seu alcance. Contudo, em vez disso, temos uma cultura que é cada vez mais de massas e menos de pessoas, na qual é impossível se reconhecer. Também é importante opor resistência às formas invasivas da cultura que permeiam o silêncio.
* * *

Obra de David Le Breton publicada no Brasil
:: Adeus ao corpo: Antropologia e sociedade. David Le Breton. [tradução Marina Appenzeller]. Campinas: Papirus, 2003.
:: A sociologia do corpo. David Le Breton. [tradução Sonia M. S. Fuhrmann]. Petrópolis: Editora Vozes, 2006; 2010.
:: Condutas de risco: dos jogos de morte ao jogo de viver. David Le Breton. [tradução Lólio Lourenço de Oliveira]. Campinas: Autores Associados, 2009.
:: As paixões ordinárias: antropologia das emoções. David Le Breton. [tradução Luis Alberto Salton Peretti]. Petrópolis: Editora Vozes, 2009.
:: Antropologia do corpo e modernidade. David Le Breton. [tradução Fábio dos Santos Creder]. Petrópolis: Editora Vozes, 2011.
:: Antropologia da dor. David Le Breton. [tradução Iraci D. Poleti]. São Paulo: Editora Fap-Unifesp, 2013.
:: Antropologia dos sentidos. David Le Breton. [tradução Francisco Morás]. Petrópolis: Editora Vozes; 2016.

*David Le Breton (Le Mans, 23 de outubro de 1953), sociólogo e antropólogo francês, professor de sociologia na Universidade de Estrasburgo, membro do Institut Universitaire de France e do Instituto de Estudos Avançados de Strasbourg (Uslas). Autor de uma extensa obra sobre antropologia e sociologia do corpo publicada em diversas línguas, ele é reconhecido como um dos maiores especialistas em estudos de corporeidade, dor, sofrimento, comportamentos extremos e de risco entre os jovens.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Projeto VerBem


Vídeo explicativo do Projeto VerBem e sua plataforma de crowdselling. 

Somos uma ONG que trabalha para dar acesso a óculos a população de baixa renda e, ao mesmo tempo, inserir socialmente pessoas em vulnerabilidade social, através de trabalho, educação e cultura.

Curso Estado de Jornalismo: inscrições vão até dia 31



Redação Estadão
19 Junho 2018

Estão abertas as inscrições para o 29º Curso Estado de Jornalismo, uma parceria entre o Estadão e a Universidade de Navarra. O programa é gratuito e ocorre de 10 de setembro a 7 de dezembro, com atividades práticas e teóricas, além experiência nas redações do Grupo em São Paulo. Podem participar recém-formados (2016 e 2017) e estudantes do último ano de jornalismo de todo o País. A seleção vai até 31 de julho, pelo link www.vagas.com.br/v1715921.

A primeira etapa é realizada online, no momento da inscrição. Para completar o processo, o candidato precisa incluir o currículo no site, justificar seu interesse no curso e realizar testes de conhecimentos gerais, português e inglês. Uma boa dica é escolher um lugar tranquilo para fazer a prova: uma vez iniciado, o teste não pode ser interrompido. A segunda fase, com até 90 selecionados, é presencial e será realizada dos dias 21 a 24 de agosto, na sede do Estadão.

Os aprovados para a segunda etapa vão ter um dia de atividades no jornal. Na parte da manhã, fazem prova de conhecimentos gerais e português, e escrevem uma reportagem. No intervalo após o almoço, vão conhecer a redação e outras áreas do Grupo Estado. E, à tarde, participam de um processo de entrevista.

Também conhecido como Curso de Focas – apelido dado a iniciantes na profissão -, o Curso Estado de Jornalismo é um dos mais tradicionais programas de treinamento do País. Mais de mil profissionais passaram pelo projeto e hoje trabalham no Grupo Estado e em outras redações no Brasil e no exterior.

O programa, que tem patrocínio da Philip Morris, inclui disciplinas teóricas de política, economia, filosofia, direito, ética e português, e módulos práticos com palestras e coletivas especiais. Além dessas atividades, os alunos passam por diversas áreas do Grupo Estado. O produto final do curso é uma reportagem especial multimídia, com tema escolhido pela turma, que publicada no portal do Estadão. Em 2017, o projeto se dividiu em três: um site, um banco de dados e um jogo, todos sobre a corrida eleitoral deste ano. Confira

quarta-feira, 20 de junho de 2018

“Fevereiros” é o grande vencedor da 10ª edição do IN-EDIT BRASIL.

Fonte: Redação ATTi
Valéria Blanco
11.3729-1456 / 99105-0441
valeria@atticomunicacao.com.br

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“FEVEREIROS”, DOCUMENTÁRIO QUE MOSTRA A RELAÇÃO ENTRE A CANTORA MARIA BETHÂNIA E O CARNAVAL, É O GRANDE VENCEDOR DA 10ª EDIÇÃO DO IN-EDIT BRASIL

O documentário “Fevereiros”, de Marcio Debellian, é o grande vencedor do prêmio do Júri da 10ª edição do IN-EDIT BRASIL - Festival Internacional do Documentário Musical, que aconteceu de 07 a 17 de junho em São Paulo.

O filme, que mostra a relação entre a cantora Maria Bethânia e o carnaval, será apresentado pelo diretor na edição de Barcelona do In-Edit e depois entrará no circuito In-Edit de festivais.

Já a menção honrosa foi para o documentário “Dê Lembranças a Todos”, Fabio Di Fiore, Thiago Di Fiore, sobre o cantor Dorival Caymmi.

O Júri foi composto por Ana Butler, Cristina Amaral, Francisco Cesar Filho, Patricia Palumbo e Simone Yunes.

O In-Edit Brasil – 10º Festival Internacional do Documentário Musical é uma realização da In Brasil Cultural e do SESC - Serviço Social do Comércio, com participação da Agência Nacional de Cinema - Ancine, Fundo Setorial e BRDE e copatrocínio da Spcine e Prefeitura de São Paulo.

Serviço:
IN-EDIT BRASIL – 10º Festival Internacional do Documentário Musical
07 a 17 de junho em São Paulo.
www.in-edit-brasil.com

Sinopse dos filmes:

• Melhor Filme: FEVEREIROS, de Marcio Debellian.
Fevereiros
Márcio Debellian | Brasil | 2017 | 74’

A relação entre Maria Bethânia e o carnaval é notória. Desde sua infância em Santo Amaro da Purificação (BA), a cantora sempre cultuou esta festa que marcou sua formação. Neste filme, Bethânia se lembra de suas primeiras festas e a importância da sua espiritualidade em sua vida. A equipe registrou a vitória da escola de samba carioca Estação Primeira de Mangueira em 2016, que teve um enredo homenageando a cantora.

• Menção Honrosa: DÊ LEMBRANÇAS A TODOS, de Fabio Di Fiore e Thiago Di Fiore.
Dê Lembranças A Todos


Fabio Di Fiore, Thiago Di Fiore | Brasil | 2018 | 73’
Dorival Caymmi foi um dos inventores do imaginário baiano. Em seus 94 anos de vida, Caymmi compôs, cantou, escreveu, ilustrou e pensou sua Bahia, mesmo longe dela. Seus familiares, parceiros, amigos e fãs lembram de sua história que o transformou em um dos pilares da cultura brasileira.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Unica Fórum reúne pré-candidatos a presidência

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Nota do Blog: Estamos vivendo tempos difíceis, um País com políticos desacreditados e o povo sofrendo as consequências de decisões erradas, mas não podemos simplesmente virar as costas para isso tudo que está acontecendo.

É hora sim de se informar, de saber os projetos dos candidatos à presidência e que vão governar este País pelos próximos 4 anos. Somos responsáveis por nossas decisões, então bora lá nos informar gente!


Quer saber um pouco como foi o evento? Acesse Painel WW
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Fonte: Grupo Cultivar

Nesta segunda-feira (18/06), oito pré-candidatos à presidência da República estarão reunidos em um dos principais eventos do agronegócio brasileiro para apresentarem como atenderão aos pleitos e prioridades do setor sucroenergético caso vençam a eleição de outubro.

Para subsidiar a preparação de João Amoêdo, Paulo Rabello de Castro, Henrique Meirelles, Ciro Gomes, Marina Silva, Jair Bolsonaro, Aldo Rebelo e Geraldo Alckmin, a UNICA elaborou dois documentos que detalham quais são as demandas do setor sucroenergético e a Política Nacional de Biocombustíveis, o RenovaBio, que precisa ser mantido em pauta e executado pelo próximo governo.

Os candidatos não se encontrarão no palco em nenhum momento. As participações são individuais, com cada um fazendo um pronunciamento de 15 minutos, seguido de mais 15 minutos de perguntas e respostas, com moderação do jornalista William Waack. Os segmentos de perguntas e respostas terão a participação de Conselheiros e convidados selecionados pela UNICA.

Atendendo a diversas solicitações de empresas e profissionais interessados em participar do Fórum, o prazo de inscrições, que incialmente se encerraria na sexta (15), foi prorrogado até o domingo (17). Devido a esta forte demanda, a organização do evento disponibilizou mais um lote de lugares. Os registros devem ser feitos exclusivamente por meio do site www.unicaforum.com.br.

Mudança na programação

O pré-candidato Álvaro Dias (Podemos), até então confirmado para o Fórum, por conta de um conflito de agenda não poderá participar. Para seu lugar vem Paulo Rabello de Castro, economista e ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pré-candidato pelo PSC.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Já se vão 8 anos ...


Pois é meu pai, há 8 anos atrás exatamente ao meio dia você partiu para o mundo espiritual. Serenamente como só os grandes homens  conseguem.

Engraçado 8 anos longe de você fisicamente, mas tão perto de mim em exemplos, em verdades, em amor.

Quantas vezes me vejo sorrindo pensando no que aprontamos juntos, ou fazendo coisas do jeitinho que você faria, ou pior resmungando ou esbravejando com alguma coisa mal feita. Lembra quando você chegava bem malcriado dizendo "Quem é o dono dessa "budega"?

Mas a braveza passava rapidinho e logo vinha uma piadinha ou uma gargalhada gostosa. 

Hoje é seu aniversário lá no mundo espiritual e quero muito que você olhe para cá e se orgulhe de tudo o que aqui plantou, marido carinhoso, pai amoroso, avô brincalhão, cidadão preocupado com as pessoas à sua volta e com o Mundo.

Sinto sua falta meu pai, não com tristeza e sim com saudades da sua sabedoria, do seu apoio sempre presente e principalmente de mergulhar naquele mar azul profundo dos seus olhos.  Obrigada meu pai!
Sua filhota, Nadia

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

In-Edit Brasil - Festival Internacional do Documentário Musical



O​ In-Edit Brasil - Festival Internacional do Documentário Musical​ ​está com as inscrições abertas​ ​até ​0​1 de março.​ ​

O regulamento, formulário de inscrição e outras informações estão disponíveis no site: http://br.in-edit.org/

A 10ª edição do In-Edit Brasil acontece de ​07 a 17 de ju​n​ho em São Paulo.


sábado, 30 de dezembro de 2017

Gatos são nossos protetores






Fonte: Antonio Fernandes

Os gatos possuem uma conexão com o mundo mágico, invisível. Assim como os cães são nossos guardiões no mundo físico, os gatos são nossos protetores no mundo energético. Durante o tempo em que passa acordado, o gato vai “limpando”

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