quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Fome física x fome emocional: comemos alimentos ou emoções?

Fonte: A Crítica

Se não for equilibrada, a relação entre comida e prazer pode trazer consequências negativas à saúde
Costumes, ideologias, crença, fé religiosa, educação e outros fatores devem ser levados em consideração quando o assunto é a alimentação. Já faz tempo que o ato de comer deixou de se limitar somente à função nutritiva e passou a se relacionar também com processos afetivos e socioculturais. Porém, o prazer gerado pelo alimento pode tornar-se um problema, se esse passar a ser considerado uma válvula de escape para estresse ou para sentimentos negativos.

A fome é a necessidade de comer desencadeada pela falta de energia, e pode ser dividida em dois tipos: a fome fisiológica, que é a sensação física e não relacionada a alimentos específicos, e o apetite hedônico relacionado ao prazer e recompensa, e que ocorre mesmo sem a deficiência de energia.

Quando a comida é utilizada para lidar com problemas pessoais, o apetite sentido é considerado como fome emocional. “De forma geral, podemos dizer que é a vontade de diminuir a sensação do desconforto emocional por meio da comida, enquanto a fisiológica é a necessidade”, afirma Marcia Daskal, nutricionista e proprietária da Recomendo Assessoria em Nutrição.

Os principais fatores que podem levar à fome emocional são necessidades básicas não atendidas, como sono inadequado e dietas restritivas sem orientação médica ou nutricional, e situações do dia a dia, como desentendimentos com pessoas próximas, problemas no emprego, e outras circunstâncias que provoquem estresse e sentimentos de raiva, ansiedade, medo, tristeza, cansaço e insegurança.

O Dr. Marcio Mancini, endocrinologista chefe do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da USP, salienta que “a fome emocional pode levar ao excesso de peso ao longo do tempo, desencadeando a obesidade. Além disso, pode evoluir para um distúrbio nutricional, como o transtorno da compulsão alimentar, que é a ingestão de uma grande quantidade de alimentos em um curto período de tempo com perda de controle sobre o ato de comer, gerando angústia e sofrimento”.

Como identificar a fome emocional?

Os principais indícios de que está fora de controle são desejo urgente de comer, ingestão de alimentos com voracidade ou em grande quantidade e dificuldade de controlar ou a sensação de que nada satisfaz. Na prática, é como a representação “viver para comer” e não “comer para viver”.

De acordo com Marcia, “a dificuldade em diferenciar a sensação de fome de outras sensações corporais pode começar na infância, quando os pais oferecem comida como expressão de amor ou premiação. Ao longo da vida, as pessoas vão perdendo a capacidade natural de comer quando estão com fome e de parar quando satisfeitas, e acabam se desenvolvendo seguindo regras referentes a horários, quantidades e qualidade determinadas por outros, ignorando os sinais de saciedade, intuição e vontade próprias”.

O médico endocrinologista, o nutricionista ou mesmo o psicólogo são os profissionais indicados para ajudar a identificar situações que poderiam passar despercebidas, contribuindo para uma relação mais equilibrada e prazerosa com a comida.

Prazer x culpa: O real significado da comida

A comida pode ter diversos significados. Muitas pessoas conseguem sentir prazer e culpa ao mesmo tempo. Além disso, um cardápio prazeroso é frequentemente associado como não saudável, proibido e engordativo. O fato é que o conceito de “alimentação saudável” não pode ser associado apenas a determinados tipos de alimentos, ou a privações e sacrifícios.

É importante relembrar que comer não é exclusivamente um processo fisiológico, mas é igualmente uma ação afetiva e sociocultural. É necessário resgatar o relacionamento mais saudável com a comida, entendendo que o problema não é o ingrediente ingerido, mas o desequilíbrio no consumo dos ingredientes. A alimentação balanceada é o primeiro passo em direção a um estilo de vida mais saudável.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Hortas comunitárias: mãos na terra por uma alimentação mais saudável

Fonte:Diário Catarinense


Por ERICH CASAGRANDE


Osvaldo mantém horta comunitária em Palhoça, na Grande FlorianópolisFoto: Marco Favero / Agencia RBS

Sentir o cheiro de terra úmida entre os dedos enquanto se coloca as sementes uma a uma e, semanas depois, vê-las germinar em forma de alimentos saudáveis têm motivado comunidades catarinenses a investir em espaços coletivos para produzir os próprios alimentos. Mais do que proporcionar comida saudável, as hortas comunitárias têm produzido um novo ambiente de integração social e qualidade de vida.

Hortas comunitárias estimulam cooperação entre vizinhos em Florianópolis

Em Santa Catarina, existem sete hortas comunitárias criadas pela Eletrosul, que disponibiliza os terrenos próximos às torres de transmissão de energia e entrega o lugar pronto para o cultivo. Os canteiros são administrados pelos moradores que plantam, colhem, consomem e vendem os produtos.

– São cerca de 300 famílias em todo o Estado e acredito que se tirar uma horta dessas de onde elas estão vai gerar uma revolução. É algo que todo mundo está engajado, envolvido e aproveita – avalia Anderson Caetano, técnico agrícola responsável pela coordenação do projeto no Sul do país.

Para a companhia, a vantagem está em proteger as áreas onde as torres estão instaladas de invasões e queimadas e em dar destino ao terreno, que são um dos melhores para o cultivo porque geralmente sofreram pouca alteração nos últimos anos e guardam características bastante naturais do solo. São quatro hortas comunitárias em Palhoça, duas em Xanxerê e outra em Joinville. A Eletrosul também incentivou a criação de outras 22 hortas comunitárias no Rio Grande do Sul e no Paraná.

Terrenos públicos e unidades recebem hortas comunitárias em Florianópolis
O projeto da Eletrosul existe desde 2001, mas o movimento de hortas comunitárias cresce em todo o país, seja por incentivo de organizações não governamentais, órgãos públicos ou pela motivação de um grupo de moradores, como aconteceu no bairro do Campeche, em Florianópolis. Em São Paulo, a ONG Cidades sem Fome já criou 25 áreas de cultivo na Zona Leste da capital paulista com a perspectiva de negócio social.

– A temática da agricultura urbana vai crescer muito nos próximos anos. É a saída para cultivar produtos de qualidade nas grandes cidades e perto da comunidade – acredita Hans Temp, fundador da ONG.

Temp entende que a atividade agrícola por muito tempo foi vista como um trabalho de pessoas com pouca instrução, mas defende que esse preconceito já está acabando e o agricultor urbano será uma profissão extremamente valorizada nos próximos anos. Segundo ele, os orgânicos são o meio para uma alimentação saudável e é preciso praticar um preço acessível e justo.

– Fazer chegar produtos de qualidade e saudáveis na mesa das pessoas é um negócio incrível. Startups surgirão nesse mercado de grande riqueza financeira e social – projeta Temp. 



Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Horta comunitária é vista como negócio social em São Paulo

O programa Cidades sem Fome em São Paulo tem como política de ação não criar hortas apenas com o perfil de filantropia, em que todo mundo produz um pouco e os produtos são doados. O objetivo é transformar as hortas em negócio social, no qual os trabalhadores são treinados e recebem os lucros da venda dos produtos. Segundo o fundador Hans Temp, isso ajuda a garantir a perpetuação da horta, já que há motivações maiores.

– Quando o foco é apenas doações ou ajuda, as coisas tendem a morrer rapidamente. Não há benefícios direto e ao longo prazo as pessoas se desmotivam porque o entusiasmo muda ou acaba. Nossos projetos são negócios sociais que geram renda para quem trabalha nessas hortas comunitárias – explica Hans.

Os produtos orgânicos são vendidos para a própria comunidade, para restaurantes e mercados e os valores voltam para a horta como investimento, manutenção e renda. Segundo Hans, esse processo funciona porque há um produto de qualidade, que são os orgânicos, com valor agregado por ser de um trabalho social. Ele ainda critica os valores altos de algumas feiras de orgânicos onde um pé de alface chega a custar R$ 5.

– Esses valores são absurdos e tristes porque geram zonas de exclusão quando deveria ser o contrário. Priva as pessoas de consumir produtos saudáveis. A produção de alimentos orgânicos não é mais cara – defende.

Para o Cidades sem Fome, é importante atribuir um preço justo ao mercado para vender os produtos e gerar a sustentabilidade no negócio. Preço acessível é aquele que uma pessoa de qualquer classe social pode pagar numa horta comunitária. É o mesmo preço que se encontra na feira do bairro, mas a qualidade do produto orgânico.

– Nas periferias um dos problemas é que os mercados ficam longe e a horta se torna um lugar perto com alimentos saudáveis – ressalta Hans. 


Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Modelos de hortas comunitárias podem variar
Enquanto os modelos implantados pela ONG Cidades sem Fome em São Paulo tem a perspectiva de negócio e geração de renda das pessoas que trabalham na horta comunitária, os modelos desenvolvidos pela Eletrosul e organizados pela própria comunidade variam quanto ao foco da horta. Na horta comunitária do Pacuca, no bairro do Campeche, em Florianópolis, os produtos orgânicos são doados para quem participa e apoia o projeto.

– Nossa ideia é criar uma cultura da reciclagem do resíduo orgânico por meio da compostagem. Quem ajuda no projeto, cuida da horta ou dedica seu tempo, pode receber algum produto em troca – explica Eduardo Rodrigues, coordenador do projeto.

A horta do Pacuca começou por iniciativa da comunidade com apoio da Associação dos Moradores do Campeche junto ao Conselho de Saúde do bairro e recebeu ajuda da Companhia de Melhoramentos da Capital (Comcap) com gravetos para a compostagem. Nesse modelo, todos ajudam como podem e os custos são divididos entre os voluntários que também buscam parcerias.

No modelo proposto pela Eletrosul, a empresa entrega a horta comunitária pronta e com ferramentas para a manutenção e cultivo. A partir desse ponto, a área passa para gestão da comunidade, que deve seguir um regimento com 30 tópicos em que responsabilidades das duas partes são esclarecidas. Cada horta também tem um coordenador para gerir problemas e se comunicar com a empresa.

– Nesse modelo, as hortas são cultivadas por famílias da comunidade e cada família tem o seu canteiro e determina o destino dos produtos. Podem consumir, vender apenas o excedente ou toda a produção – explica Anderson Caetano.

Passos para montar uma horta comunitária

CONVERSE
A mais importante dica é conversar com todas as pessoas envolvidas. Representantes da comunidade, vizinhos, interessados em participar. Discutir quais as intenções de cada uma e alinhar um plano de objetivos com a horta comunitária.

NÃO EXISTE TERRA DE NINGUÉM
Lembre-se que todo espaço tem algum dono e mesmo se for um órgão público, como a prefeitura por exemplo, é preciso se organizar e pedir para usar a área.

CONTRATO DE USO
Ao identificar um terreno, não use sem antes conversar com o proprietário da área. Tente estabelecer um contrato com força jurídica e cláusulas de uso sobre a área para dar confiança ao proprietário e garantir a viabilização do horta sem surpresas futuras.

CAPTAÇÃO DE RECURSOS
Importante se organizar com a comunidade ou com apoiadores para captar recursos de investimento para construir a horta e mantê-la em funcionamento. Lembre-se de que há gastos com água, madeira, luz e pregos, por exemplo.

DEFINA O FOCO DA HORTA
Seguindo o que foi conversado antes de escolher o terreno, estabeleça um objetivo claro para a horta que seja de acordo comum entre os principais colaboradores. Será para consumo próprio, venda do excedente, apenas venda, distribuição para pessoas carentes. Lembre-se de que sempre há custos e alguém deve pagar por eles.

E O DINHEIRO, O QUE FAZER?
À medida em que os produtos são vendidos, o que será feito com o dinheiro? Será reinvestido, distribuído entre as pessoas envolvidas ou funcionará como um espécie de salário entre as pessoas que cuidam? É preciso deixar claro para diminuir problemas e frustrações futuras.

PESSOAS ENGAJADAS
Busque fazer uma seleção das pessoas que trabalham na horta. Importante que elas estejam engajadas e cientes de como será esse trabalho. Ideal é que elas recebam algum tipo de treinamento para melhor operarem no cultivo. E esteja preparado para desistências.

CONSELHEIROS
Importante que a horta comunitária tenha um grupo gestor com alguns integrantes, cerca de cinco, que sejam fiéis aos propósitos e organizem uma espécie de plano para a horta. Devem existir regras, responsabilidades e objetivos claros para evitar que os interesses mudem conforme motivações particulares.

CAPITAL INICIAL
Preparar um terreno de 5 mil metros quadrados com limpeza, terraplanagem, assessoria de técnicos agrônomos, combustível dos veículos, britagem pode custar até R$ 30 mil segundo a ONG Cidade Sem Fome.

Se considerar o custo apenas da montagem dos canteiros, sistema de irrigação, sementes e o plantio das primeiras mudas, o custo fica em torno de R$ 2 mil para iniciar o projeto, segundo o técnico agrícola Anderson Caetano.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Kototama - O espírito da palavra, o que isso tem a ver com as músicas que escuto?


Guen-Rei = Kototama = espírito da palavra
Vocábulo japonês composto de Guen=palavra e rei=espírito.


Os sons emitem uma vibração -positiva ou negativa- que influi de modo decisivo na criação do ambiente espiritual.

Por isto, nas orações orientais, é frequente o emprego de mantras que, por sua mera emissão sonora, purificam o ambiente.


Vocês devem ter percebido que ultimamente tenho postado letras de músicas que tenho chamado "Quando as letras das músicas tinham sentido e sentimento".

Se levarmos em conta o Kototama, ou o espírito da palavra, como será que anda a energia das músicas que ouvimos diariamente. 

Perceberam que essa energia é "malandra"? Na maioria das vezes estamos distraídos ouvindo música no trabalho, no carro, em casa. Não prestamos atenção às letras ...

E lá estamos nós... "Felicidade foi embora e a tristeza no meu peito ainda mora " ou então "tristeza não tem fim, felicidade sim". Ah mas você vai dizer, essas são antigas. Não tem nada a ver...

Tuuuudo bem, vamos lá para as atuais. Quem sabe as musas das Olimpíadas me trazem uma luz: 

Anita - Bang : Vem na maldade, com vontade / Chega, encosta em mim / Hoje eu quero e você sabe que eu gosto assim.  Uh, uh, uh, uh, uh / Uh, uh, uh, uh, uh / Uh, uh, uh, uh, uh

Ludimila - BomHumm, humm, humm, é bom / Uma taça de chandon (bom)
Um calor no edredom (bom) / Cê tirando meu batom é bom, bom, bom, bom, bom
Uma taça de chandon (bom) / Um calor no edredom (bom)
Cê tirando meu batom é bom, bom, bom
Relaxa que eu quero você / Relaxa que eu quero prazer
Relaxa que a noite promete e naturalmente vai acontecer


Estou exagerando? Talvez, mas é o que tem nos programas de TV, nas rádios, na Internet. Somos bombardeados pela mídia com músicas de consumo rápido, não temos mais letras que enriquecem nosso vocabulário. Claro que o tempo filtra e daqui há 20 anos ninguém vai lembrar do que é ruim. Mas a energia colou em quem viveu esse tempo.

E é dessa energia que quero falar. De filtrarmos hoje o que pode nos fazer bem, prestar mais atenção nessa energia que chega de fininho e sem que prestemos atenção nos atinge profundamente. E lá estamos nós sem saber porque irritados ou depressivos.

Vamos ouvir e não apenas escutar. Mesmo nas músicas clássicas isso acontece, algumas nos "botam pra cima" outras nos levam "pro chão".

Adoraria receber sugestões dos leitores  para ampliarmos nossa coleção de músicas que só fazem bem. E aí cantar, dançar  e fazer nossa alma feliz!




Sugestões já publicadas:
Noel Rosa
+ Noel Rosa
Marisa Monte
Maria Bethania


Da série: Quando as letras das músicas tinham sentido e sentimento.


Façamos
Elza Soares


Os cidadãos no Japão, fazem
Lá na China um bilhão, fazem
Façamos, vamos amar

Os espanhóis, os lapões, fazem
Lituanos e letões, fazem
Façamos, vamos amar

Os alemães em Berlim, fazem
E também lá em Bonn
Em Bombaim, fazem
Os hindus acham bom

Nisseis, nikeis e sanseis, fazem
Lá em São Francisco muitos gays fazem
Façamos, vamos amar

Os rouxinóis e os saraus fazem
Picantes pica-paus fazem
Façamos, vamos amar

Os jaburus no Pará, fazem
Tico-ticos no fubá, fazem
Façamos, vamos amar

Chinfrins galinhas afins fazem
E jamais dizem não
Corujas, sim, fazem
Sábias como elas são

E os perus, todos nus, fazem
Gaviões, pavões e urubus, fazem
Façamos, vamos amar

Dourados do Solimões, fazem
Camarões e camarães, fazem
Façamos, vamos amar

Piranhas, só por fazer, fazem
Namorados, por prazer, fazem
Façamos, vamos amar

Peixes elétricos bem, fazem
Entre beijos e choques
Garçons também fazem
Sem falar nos hadocs

Salmões no sal, em geral, fazem
Bacalhaus do mar em Portugal, fazem
Façamos, vamos amar

Libélulas e nambus, fazem
Centopéias sem tabus, fazem
Façamos, vamos amar

Os louva-deuses, por fé, fazem
Dizem que bichos de pé, fazem
Façamos, vamos amar

As taturanas também fazem
Um amor incomum
Grilos, meu bem, fazem
E sem grilo nenhum

Com seus ferrões, os zangões, fazem
Pulgas em calcinhas e calções, fazem
Façamos, vamos amar

Tamanduás e tatus, fazem
Corajosos cangurus, fazem
Façamos vamos amar

Coelhos só e tão só, fazem
Macaquinhos no cipó, fazem
Façamos, vamos amar

Gatinhas com seus gatões, fazem
Dando gritos de ais
Os garanhões fazem
Esses fazem demais

Leões ao léu, sob o céu, fazem
Ursos lambuzando-se no mel, fazem
Façamos, vamos amar
Façamos, vamos amar


Leia também: Kototama - O espírito da palavra, o que isso tem a ver com as músicas que escuto?


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Da série: Quando as letras das músicas tinham sentido e sentimento


Amigo é Para Essas Coisas
MPB-4


- Salve!
- Como é que vai?
- Amigo, há quanto tempo!
- Um ano ou mais
- Posso sentar um pouco?
- Faça o favor
- A vida é um dilema
- Nem sempre vale a pena
- Pô...
- O que é que há?
- Rosa acabou comigo
- Meu Deus, por quê?
- Nem Deus sabe o motivo
- Deus é bom
- Mas não foi bom pra mim
- Todo amor um dia chega ao fim
- Triste
- É sempre assim
- Eu desejava um trago
- Garçom, mais dois
- Não sei quando eu lhe pago
- Se vê depois
- Estou desempregado
- Você está mais velho
- É
- Vida ruim
- Você está bem disposto
- Também sofri
- Mas não se vê no rosto
- Pode ser
- Você foi mais feliz
- Dei mais sorte com a Beatriz
- Pois é
- Vivo bem
- Pra frente é que se anda
- Você se lembra dela?
- Não
- Lhe apresentei
- Minha memória é fogo!
- E o l´argent?
- Defendo algum no jogo
- E amanhã?
- Que bom se eu morresse!
- Pra quê, rapaz?
- Talvez Rosa sofresse
- Vá atrás!
- Na morte a gente esquece
- Mas no amor a gente fica em paz
- Adeus
- Toma mais um
- Já amolei bastante
- De jeito algum!
- Muito obrigado, amigo
- Não tem de quê
- Por você ter me ouvido
- Amigo é pra essas coisas
- Tá
- Tome um Cabral
- Sua amizade basta
- Pode faltar
- O apreço não tem preço, eu vivo ao Deus dará


Leia também: Kototama - O espírito da palavra, o que isso tem a ver com as músicas que escuto?


Da série: Quando as letras das músicas tinham sentido e sentimento

Ai, se eles me pegam agora
Chico Buarque
Com as Frenéticas

Ai, se mamãe me pega agora de anágua e de combinação
Será que ela me leva embora ou não
Será que vai ficar sentida, será que vai me dar razão
Chorar sua vida vivida em vão
Será que faz mil caras feias, será que vai passar carão
Será que calça as minhas meias e sai deslizando pelo salão
Eu quero que mamãe me veja pintando a boca em coração

Será que vai morrer de inveja ou não
Ai, se papai me pega agora abrindo o último botão
Será que ele me leva embora ou não
Será que fica enfurecido será que vai me dar razão
Chorar o seu tempo vivido em vão
Será que ele me trata à tapa e me sapeca um pescoção
Ou abre um cabaré na Lapa e aí me contrata como atração
Será que me põe de castigo será que ele me estende a mão


Leia também: Kototama - O espírito da palavra, o que isso tem a ver com as músicas que escuto?