segunda-feira, 21 de maio de 2012

Hospital do Mandaqui fica mais alegre com a presença dos Voluntários do Canto Cidadão

16/04/2012

Canto Cidadão conversa com André Carvalho de Freitas


Desde quando está no Canto Cidadão?Sou da turma 15, já perdi a conta. Uns quatro anos???

Em qual hospital ou asilo atua?Atuo no Complexo Hospitalar do Mandaqui, Zona Norte de São Paulo.

Por que decidiu ser voluntário?Decidi ser voluntário pelo desejo de fazer algo pelo próximo. Achava que faltava alguma coisa, uma atividade complementar que se beneficiasse da energia e amor que tinha em excesso. Necessidade de dividir, de aprender, de conhecer um pouco mais a realidade, de trocar experiências e ter uma para mensurar o quanto eu era feliz.

Por que escolheu o Canto Cidadão?Eu já trabalhava com crianças em outro trabalho voluntário e fui convidado por um colega, que já atuava no Canto Cidadão, a conhecer o trabalho desenvolvido com o público adulto. Pela indicação e pelas informações que me passou achei muito interessante e sério. Por causa disso fui conferir participando do processo de seleção e treinamento.

Quais são os maiores desafios que enfrenta para exercer o voluntariado?Acho que os desafios maiores são os pessoais. Lidar com as nossas limitações, com nossos preconceitos, com nossa capacidade de ouvir e de transmitir algo que faça a diferença. E claro, cada visita é sempre uma surpresa, um improviso, então aprendemos a ser cada vez mais espontâneos, qualidade que muitas vezes perdemos pelo estilo de vida, pela educação ou pelas obrigações sociais.

Como se chama o seu Doutor?Doutor Patolonne, mistura de pato com canelonne.

Tem alguma história marcante que gostaria de compartilhar? Qual?Publiquei esta história há pouco tempo no Facebook, no grupo Mandaquianos, e gostaria de compartilhar, com a permissão de meus colegas de atuação, claro.

"Complexo Hospitalar do Mandaqui, sempre em reformas, mudanças internas, troca de andares e setores, um lugar em ebulição. Anos de atuação e a cada visita amamos mais nosso trabalho voluntário e aprendemos com nossos colegas doutores.

O que falar de uma senhora de 77 anos que diz  que o segredo da longevidade é ter sempre amor no coração? O que sentir depois de uma conversa com uma detenta paciente e saber que um simples ferro de plástico trouxe alivio para suas dores? E que de depressiva se transformou em sorrisos ao ouvir um coral de doutores cantando Parabéns pra Você?

Oferecemos lembranças de Natal para nossos atendidos, mas eles tinham que declamar poemas, cantar músicas natalinas com sotaque... e não é que fomos surpreendidos por uma irmã de paciente contando histórias de diamantes e rosas? Descobrir como se faz uma galinha de cabidela, ouvindo atentamente uma legitima baiana com todo seu lindo sotaque, declarando ainda que na infância não teve tempo pra brincar por causa do trabalho na roça...

Muita gente conhece cantores de chuveiro, mas descobrimos vários cantores de corredor de hospital... e algo nos chamou atenção: ao passar em frente a um quarto percebemos uma senhora olhando para a porta, sozinha, debilitada, nitidamente muda pela sua condição, surpresa pela passagem dos doutores e num esforço intimo levantou as duas sobrancelhas para chamar pela nossa atenção. Conversamos por meio de piscadas, sobrancelhas arcadas, acenos de cabeça, enfeitamos seu leito com vasinhos de flores e seu olhar nos cativou... visita curta, mas intensa.

Um paciente, com seu livro na cabeceira de LINGUAGEM CORPORAL, nos deu uma aula de interpretação e rememorei a primeira vez quando fui ao cinema com minha família já que seu nome era homenagem a um filme italiano antigo, meu primeiro filme visto na telinha...O que falar do motoboy perambulando pelos corredores, com um nome dos mais complicados, pedindo pra ser chamado de Baú e nos contando que suas visitas ao outro bloco tinham segundas intenções, já que se interessara por uma acompanhante...duro for ser chamado de Patati & Patatá pelo Sr Baú...

Pra finalizar ouvimos estórias de uma descendente de espanhóis, contando sua infância e adolescência e nos dando um depoimento de humildade, valores, pobreza, riqueza, fartura e reconhecimento... AH, e uma dica para os que buscam namoradas: ficamos sabendo que noras japonesas são as melhores....

Nossa este trabalho é supimpa!

Recebemos muitos elogios, mas ninguém imagina a riqueza que colhemos a cada visita... somos privilegiados.

Só tenho de agradecer a companhia ilustre dos doutores: MELLRALETRIA, ANDORINHOQUE, PAPAFUSO E TUCANE, vocês são DE OUTRO MUNDO! Valeu cada minuto.

Abraços a todos.... dr Patolonne"

Você inventou alguma história para o seu personagem? Se sim, nos fale um pouco sobre ele.Doutor Patolonne não tem uma história pregressa. Foi gerado no decorrer de uma gestação de seis meses, tem muitos irmãos gêmeos, dois pais maravilhosos, não cursou faculdade, só a da vida e faz terapia para falar pouco e ouvir mais.

O que te estimula a continuar realizando este trabalho?A cada visita sair com um sorriso nos lábios e com a sensação de dever cumprido. Tenho a consciência que não posso mudar o mundo, mas tento colorir, enfeitar, dar um ar de graça a ele.

Se você deseja mandar um recado para o Dr. Patolonne ou para o André Carvalho de Freitas, clique aqui. Lembre-se de colocar seu nome, seu recado e o nome dela.

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