Ecologia Celular – O Papel da Alimentação e do Meio Ambiente no Envelhecimento e na Longevidade

Publicado em 29 de setembro de 2010 em Alimentação e Saúde por Paulo Guimarães


O livro Ecologia Celular – O Papel da Alimentação e do Meio Ambiente no Envelhecimento e na Longevidade, de autoria do médico Carlos Braghini Júnior foi lançado em 2008 e tem conteúdo de valor inestimável para quem deseja melhorar sua saúde através de mudanças na sua relação com o alimento e com o ambiente.



O autor divide o livro em quatro partes:
  • Na primeira aborda o conceito de ecologia celular – o corpo como um ecossistema vivo resultante da interação interna da comunidade de células de que é composto e desta com o meio ambiente.
  • Na segunda parte trata da importância que a alimentação representa para este ecossistema.
  • A terceira fala de metabolismo e mostra a relação das doenças, do envelhecimento e da longevidade com aquilo que comemos ou que deixamos de comer. Isso pode levar o leitor a “rever vários conceitos equivocados, como o de que o colesterol é responsável pelas doenças cardíacas ou que a soja é saudável”.
  • A última parte apresenta uma proposta de planejamento alimentar em três níveis: iniciante, intermediário e avançado.

A primeira parte do livro é um pouco árida para o leigo, apesar do esforço do autor em utilizar uma linguagem acessível. Mesmo assim, vale a pena o esforço de ler para quem quer efetivamente criar uma compreensão (algo bem acima de uma aceitação) das idéias apresentadas no livro.

Se você levar a sério esta primeira parte, principalmente por volta da página 32, onde o autor narra a carga de venenos (como o flúor da pasta de dentes) e alimentos inadequados (como leite desnatado) a que nos submetemos numa simples manhã, antes mesmo de sair de casa, é possível que você peça para que parem o planeta para você descer, por não ver solução.

O livro estabelece uma diferença interessante entre alimento e produto alimentício. Se algo estiver em bancadas ou espalhado em grandes caixas de um supermercado, tem boas chances de ser um alimento, mas quanto mais embalagens, pacotes, e organização houver nas prateleiras, maiores as chances de ser um produto alimentício. Evite estes últimos.

O ponto principal na virada da dieta alimentar ocidental, segundo o livro, estaria em um comitê criado pelo senado norte-americano, formado para analisar a alimentação daquele país e que foi coordenado pelo senador George McGovern. Na negociação política de elaboração da versão final do relatório, a recomendação de reduzir o consumo de carnes vermelhas e laticínios recebeu forte reprovação da bancada ruralista e foi reformulada para “como carnes magras, aves e peixes para diminuir a ingestão de gorduras saturadas”.

O autor lembra que quanto mais se come aquilo que a ciência tem orientado, mais as pessoas têm engordado. E dá as seguintes orientações ao final da segunda parte do livro:

  • Coma comida, evitando produtos alimentícios.
  • Evite os produtos que se dizem saudáveis.
  • Evite produtos com muitos ingredientes, ou que sejam desconhecidos ou de difícil pronúncia.
  • No supermercado, fuja das prateleiras das caixinhas.
  • Pague mais, alimentos mais saudáveis, orgânicos ou menos processados custam mais caro.
  • Coma menos. Há relação entre menor ingestão de alimentos e maior longevidade.
  • Coma vegetais, principalmente folhas.
  • Resgate o padrão cultural do ato de “se alimentar” em vez de “comer”.
  • Cozinhe e plante. É mais fácil de saber o que você está ingerindo.
  • Coma como um onívoro: diversifique seu cardápio.

Braghini começa a terceira parte do livro citando o dentista Weston Price, que será objeto de longa referência futura em nosso site, e a conclusão deste quanto à relação entre a má nutrição e as cáries e deformidades nos dentes.

Cita a forte influência que a alimentação exerce sobre a forma como os genes do indivíduo vão se expressar na constituição do seu corpo e, por extensão, de sua saúde presente e futura. Fala bastante na deterioração da qualidade dos alimentos processados e nas vantagens nutricionais de alimentos orgânicos, de carnes de animais de pasto.

Para quem deseja se aprofundar, há textos acessíveis sobre a forte dependência que nossas células têm do equilíbrio com o meio em que estão imersas (matriz extracelular ou mesênquima). O autor destaca também o papel de diversos nutrientes que ingerimos na interação celular e fala sobre o mito do colesterol, com ênfase no papel nefasto que as estatinas (termo genérico para os medicamentos prescritos para baixar o colesterol) provocam na saúde das pessoas.

Ainda na parte 3 do livro, há excelentes textos sobre a relação açúcar X insulina X longevidade, sobre exercícios físicos, sobre as gorduras e seu metabolismo, suficientes para quem quer entender e não apenas aceitar os danos que nossa alimentação moderna está causando à nossa saúde.

A última parte do livro é dedicada a um planejamento nutricional que o autor divide em três estágios: iniciante, intermediário e avançado. Mesmo focando nas sugestões de o que comer e o que reduzir, esta parte é densa de conteúdo e explicações sobre o que comer e o que não comer, com os respectivos porque sim e porque não. Uma ressalva, sempre há que ter uma, se refere à recomendação de uso de suplementos feita pelo autor e que do nosso ponto de vista deve ser evitada ou, no mínimo, deve ser transitória.

No fim do livro, o autor recomenda evitar o flúor, mesmo o da pasta de dentes, parar de fumar, abandonar o microondas, trocar forno a gás por elétrico, fugir do alumínio tanto na cozinha quanto nos desodorantes, não utilizar panelas com antiaderentes, reduzir nossa exposição aos campos magnéticos, armazenar alimentos em vidro, para fugir do Bisfenol-A (BPA), não tomar café em copos de plástico, sem falar no potencial agressivo dos nossos produtos de higiene e limpeza. Ou seja, aquela sensação de querer trocar de planeta que sentimos de forma leve ao ler a primeira parte, volta agora com força total no finalzinho do livro.

A última página do livro tem como subtítulo “Não desanime”. Pertinente, uma vez que depois de ler sobre tudo o que é abordado no livro, resta uma sensação de inadequação absolutamente paradoxal entre o nosso atual estilo de vida e a própria vida.

O autor mantém o site Ecologia Celular.

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