sexta-feira, 3 de abril de 2015

Repórter da BBC investiga fotos de antes e depois de regimes.

Aparências, porque vivemos de aparências? Acreditamos naquilo que sabemos que é mentira, mas nos deixamos enganar. Não é hora de repensar nossos valores, e por valores eu quero dizer inclusive o que se paga por produtos que não fazem o que prometem?
No dia a dia nos deparamos com alimentos,cosméticos, produtos de limpeza, e muitas outras coisas que prometem e na verdade não cumprem. Vamos ter mais consciência????
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É muito comum ver na televisão, em revistas ou em outdoors por aí propagandas mostrando fotos do tipo 'antes e depois' de pessoas que perderam peso e ficaram em forma. Mas será que dá mesmo para confiar nessas imagens? – é o que questionou o repórter da BBC Magazine, Justin Parkinson.

Uau, que transformação! Dois voluntários que, à primeira vista – ou melhor, à primeira foto -, pareciam bem fora de forma e pálidos, aparecem na segunda imagem mais magros, elegantes e corados.

As fotos de antes e depois servem para mostrar os inúmeros benefícios de uma mudança para uma vida mais saudável – comendo melhor, fazendo mais exercícios e, em muitos casos, consumindo suplementos para ajudar no processo.
Então, quanto tempo demorou para o homem e a mulher da esquerda se tornarem aqueles outros dois da direita?
Basicamente, duas horas.

Um homem e uma mulher foram voluntários para as fotos que faziam parte de um especial da BBC galesa "Week In Week Out", que investigou esses suplementos esportivos. O 'regime' consiste em fazer 15 minutos de exercícios leves, depois passar por um spray de bronzeamento artificial e, por último, melhorar a postura na hora de tirar a foto. Aí para deixar o trabalho ainda mais perfeito, basta um ajuste nas luzes da foto.
"Eu fiquei impressionada na primeira vez que vi a diferença", disse Joe, o voluntário, que precisou depilar o peito para fazer a foto. "Nós não fizemos nada muito difícil entre uma foto e outra. E também não houve muita edição das fotos. Isso serve para mostrar o quão ruim essas propagandas são."



Em duas horas, voluntários estavam prontos para tirar a foto do 'depois'
O mercado da 'boa forma' é um negócio muito bem sucedido há muito tempo. Durante a década de 1940, o levantador de peso Charles Atlas fez propaganda dos seus cursos de fisiculturismo descrevendo ele próprio como: "O fracote de 44 kg que se tornou o homem mais perfeitamente desenvolvido do mundo". Os anúncios quase sempre mostravam histórias de como jovens magros haviam seguido sua 'receita' por um curto período e se transformaram e conseguiram enfrentar fortões que antes os haviam intimidado.

Atualmente, milhares de suplementos nutritivos são vendidos com o objetivo de ajudar as pessoas a desenvolver seus corpos. A indústria desses produtos rende mais de £300 milhões (R$ 1,3 bilhão) por ano no Reino Unido e, com as preocupações sobre obesidade ainda maiores agora do que no período pós-Segunda Guerra Mundial, a indústria global de perda de peso tem uma perspectiva de estar valendo £220 bilhões (mais de R$ 1 trilhão) até 2017.

A fórmula básica continua a mesma. "Se você é responsável por anunciar produtos de dieta, ou suplementos nutritivos e vitaminas para um cliente, você provavelmente seria demitido se não fizesse pelo menos uma campanha usando fotos de antes e depois", disse Peter Davies, diretor da agência de relações públicas RMS.

As propagandas de rápida perda de peso ou que incluam fotos de antes e depois e que determinam ou implicam uma taxa específica de perda de peso são proibidas pela lei europeia, segundo um porta-voz do Serviço de Informação de Suplementos de Saúde.

Ele ainda diz que não há nenhuma proibição específica sobre fotos de antes e depois em relação a crescimento muscular, mas usá-las para fazer um apelo com relação a um produto podem ser vistas como uma forma de 'enganar' o consumidor. Um produto de proteína só pode ser anunciado como um produto que fornece materiais para ganho muscular que é realmente alcançado por meio dos exercícios.

"Um velho truque que os anunciantes passaram a usar era simplesmente evitar o uso das palavras 'antes' e 'depois'", explicou Davies. "Eles simplesmente imprimem as fotos com o texto para levar o leitor a entender que elas seriam do antes e depois do uso do produto."

No entanto, as regras ficaram mais rígidas, segundo ele, e agora "qualquer coisa que possa enganar o consumidor ou induzi-lo a pensar dessa forma será punida pela Autoridade de Propagandas". Mas poderia haver um lado positivo das propagandas com antes e depois?

"Você pode ver instantaneamente a confiança dos voluntários crescerem depois que eles veem as fotos do 'depois'", conta o fotógrafo Antti Karppinen, que fotografou os voluntários na experiência feita pela BBC. "Eles ficaram surpresos com a melhora que tiveram na aparência. Foi um incentivo para eles."

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