Confira os vereadores que votaram pelo aumento do próprio salário

Vinte e dois parlamentares disseram sim à proposta que elevava a renumeração de 15 mil para quase 19 mil reais; medida não foi aprovada por apenas 6 votos

Fonte: Veja
Por Eduardo Gonçalves- 19 dez 2016.



Câmara Municipal de São Paulo (Luiz França/CMSP/VEJA)

Num momento em que o país sofre com a retração do emprego e da massa salarial, os vereadores de São Paulo tentaram aprovar um aumento de 26,3% em seus próprios salários. A iniciativa, que aconteceu na sexta-feira passada, fracassou por apenas seis votos. Vinte e dois parlamentares votaram a favor do reajuste; e sete foram contrários — a medida precisava de pelo menos 28 votos para ser aprovada (confira a lista completa abaixo). A proposta previa a elevação da renumeração de 15.031,76 para 18.991,68 reais e recebeu o apoio de parlamentares tanto da base como da oposição à gestão do prefeito eleito João Doria (PSDB), que toma posse em 1º de janeiro.

Por meio de sua assessoria, o presidente da Câmara, Antonio Donato (PT), afirmou hoje que não há mais clima para votar o projeto neste ano e que ele sequer será colocado na pauta da sessão desta terça-feira, a última de 2016. O principal assunto do dia deve ser o Orçamento da Prefeitura em 2017, que precisa ser aprovado antes do recesso.

Com essa desistência, os parlamentares ficarão sem reajuste pelos próximos quatro anos, já que a legislação do município proíbe que eles aumentem o salário no mesmo mandato. Dentre os 22 vereadores que votaram pelo acréscimo, dezessete foram reeleitos e diplomados nesta segunda-feira. Ou seja, eles literalmente disseram sim à elevação da própria renumeração.

O projeto de resolução 12/2016 foi publicado no Diário Oficial na última sexta, passou pelas comissões a toque de caixa e foi colocado em votação no mesmo dia. Manifestantes, que ocupavam o plenário para protestar contra outros projetos, ficaram sabendo de última hora da pauta e começaram a vaiar os parlamentares. “Sociedade vota não”, gritou um deles, enquanto boa parte dos políticos dizia sim à medida. Por fim, muitos vereadores se retiraram do plenário e a iniciativa afundou por falta de quórum.

A autoria da proposta é da Mesa Diretora da Casa e leva a assinatura de três vereadores, Milton Leite (DEM), Adilson Amadeu (PTB) e Adolfo Quintas (PSD). No texto, os parlamentares afirmam que o último reajuste aconteceu em 2011 e que, portanto, o aumento de 26,3% visa”apenas recompor o valor corroído pela inflação” no período.

Outra justificativa apresentada é a de que a maior capital do país exige um alto grau de responsabilidade dos vereadores. “A fixação pelo valor máximo permitido justifica-se diante do gigantismo de São Paulo, a maior cidade do Brasil, cujos problemas sociais, econômicos, políticos e culturais exigem dos vereadores envolvimento e dedicação proporcionais à responsabilidade do mandato que exercem”, diz um trecho do texto.

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