sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Uso de herbicidas não diminuiu com transgênicos, diz governo dos EUA‏


Contrariando as afirmações da indústria, dados oficiais do governo dos EUA mostram que o uso de herbicidas não diminuiu com as lavouras transgênicas
 
Segundo o Relatório de 2010 sobre o Uso de Químicos na Agricultura, divulgado no último mês pelo Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas do Departamento de Agricultura do governo dos EUA (NASS/USDA), o uso do herbicida glifosato, associado às lavouras transgênicas, aumentou dramaticamente ao longo dos últimos anos, enquanto o uso de outros herbicidas ainda mais tóxicos, como a atrazina, não diminuiu.
 
Ao contrário das recorrentes afirmações dos fabricantes de agrotóxicos e transgênicos de que a proliferação das lavouras transgênicas tolerantes à aplicação do glifosato resultaria na diminuição de seu uso, os dados mostram que o uso em geral de agrotóxicos permaneceu relativamente constante, enquanto o uso de glifosato mais do que dobrou em relação a cinco anos atrás.
 
O Relatório mostra que, nos estados avaliados, 25,8 milhões de kg de glifosato foram aplicados no último ano apenas em lavouras de milho. Em 2000 este número era de 2 milhões de kg. Em 2005 o valor era ainda menos da metade do atual: 10,4 milhões de kg. Nas regiões de cultivo intensivo de milho o aumento nas aplicações de glifosato foi ainda maior. O uso do herbicida no estado de Nebraska aumentou em mais de cinco vezes em apenas 7 anos, passando de 567 mil kg em 2003 para mais de 3 milhões de kg no último ano.
 
Os defensores da biotecnologia frequentemente dizem que se os agricultores estão aumentando o uso de glifosato isto se deve ao fato de que eles estão usando menores quantidades de herbicidas mais tóxicos, como a atrazina. Entretanto, os dados mostram outra coisa. Em 2000, 24,5 milhões de kg de atrazina foram aplicados nos estados avaliados. Tendo o uso de glifosato aumentado em mais de cinco vezes entre 2000 e 2005, era de se esperar que o uso de atrazina tivesse caído drasticamente. Entretanto, ela aumentou em mais de 1,3 milhão de kg, nos estados avaliados, passando para 26,8 milhões de kg em 2005. Em 2010 o uso de atrazina reduziu um pouco, tendo sido aplicados 23 milhões de kg -- quantidade próxima dos 25,8 milhões de kg de glifosato aplicados.
 
A atrazina está ligada a sérios efeitos sobre a saúde humana, incluindo malformações em bebês e problemas nos sistemas endócrino e reprodutor. É também uma grande ameaça aos ecossistemas por provocar problemas imunológicos, hormonais e reprodutivos em espécies aquáticas. O próprio glifosato também está associado a uma série de problemas ambientais e de saúde. No Brasil, 80% das variedades transgênicas liberadas são para uso associado de herbicidas.
 
O aumento no uso dos herbicidas nas lavouras transgênicas tolerantes ao glifosato se deve, em grande parte, ao desenvolvimento de resistência nas espécies de mato que o herbicida pretende controlar (devido ao excesso de uso do produto). Com a perda de eficácia do veneno, os agricultores tendem não só a utilizar maiores quantidades de glifosato, como a recorrer, de forma complementar, a outros herbicidas ainda mais tóxicos. Isto está levando também as empresas de biotecnologia a investir no desenvolvimento de plantas transgênicas tolerantes a múltiplos herbicidas, como glifosato e 2,4-D (componente do famoso Agente Laranja) ou glifosato e acetocloro. Ou seja, falsas soluções que também levarão, invariavelmente, ao aumento no uso de venenos -- e o pior: cada vez mais tóxicos.
 
Extraído de: Beyond Pesticides Daily News Blog, 03/06/2011 (via GM Watch).
 

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