terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Somos capazes de conter o desmatamento, mas não conseguimos incentivar restauração, diz assessora de Meio Ambiente de SP

Fonte:FIESP -
26 de fevereiro de 2013.

Em reunião do Conselho de Meio Ambiente da Fiesp, engenheira agrônoma Helena Carrascosa von Glehn defende a aplicação mais vigorosa de pagamento por serviços ambientais a moradores das imediações de áreas naturais

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp


Helena Carrascosa: 'Estipular um pagamento pelos serviços ambientais é uma coisa que gera recurso adicional e tenderia a funcionar com sustentabilidade'

Existem áreas em São Paulo cuja preservação é muito simples: basta proteger e a vegetação se regenera sozinha. Mas há ambientes onde recuperar um hectare de floresta custa mais caro do que plantar um de café, cana, laranja ou outra cultura.

A reflexão é da assessora técnica do Gabinete da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Helena Carrascosa von Glehn, ao debater o tema, nesta terça-feira (26/02), durante a reunião do Conselho Superior de Meio de Ambiente (Cosema) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Segundo a engenheira agrônoma, o Estado de São Paulo chegou a um patamar eficiente de controle do desmatamento, mas a gestão para incentivar a recuperação de áreas devastadas ainda é insuficiente.

“Hoje a gente é capaz de conter o desmatamento, mas não consegue, com os instrumentos de comando e controle, incentivar a restauração das áreas que precisam”, afirmou. “Chegamos ao limite. E, por mais eficiente que seja na fiscalização, a gente não consegue restaurar o tanto que precisaria. Essa é a realidade de São Paulo hoje”, pontuou.

De acordo com a assessora, algumas regiões do interior de São Paulo já registram áreas com apenas meio por cento de vegetação nativa, enquanto cerca de 120 mil quilômetros de curso d´água estão desprotegidos. “Isso significa erosão, perda de recurso natural e de dinheiro”, salientou.

Recursos financeiros
Para recuperar áreas, a especialista defende a aplicação mais vigorosa do modelo PSA (Pagamento por Serviços Ambientais), regime no qual moradores e produtores próximos a áreas naturais recebem recursos financeiros para protegê-las.

“Quando a gente fala em pagamento por serviço ambiental, fala em pagar por uma atividade que favorece a geração de serviço ambiental”, explicou. “A gente paga por alguma coisa que alguém faz e isso aumenta a geração dos serviços ecossistêmicos, o que gera reflexos positivos, inclusive, fora daquela propriedade”, acrescentou.

Serviços ambientais são recursos como água, ar limpo, nutrientes para o solo, diversidade genética, equilíbrio climático, que a natureza oferece à humanidade.

Helena Carrascosa acredita que estipular um pagamento por esses serviços “é uma coisa que gera recurso adicional e tenderia a funcionar com sustentabilidade”. A engenheira citou como exemplo bem-sucedido o serviço de abastecimento de água em Nova York.

“Eles fizeram a conta e concluíram que era mais barato cuidar da bacia do que construir uma estação sofisticada para tratar a água. Hoje o serviço de água de Nova York paga os proprietários rurais que estão próximos à bacia para fazerem determinados manejos de suas propriedades. Com isso, eles têm uma água de boa qualidade e não precisam gastar uma fortuna”, concluiu.

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