sábado, 25 de fevereiro de 2017

Estamos vivendo em um ambiente de guerra



Pelo menos foi essa a sensação que tive ao acompanhar um amigo durante sua internação no Pronto Socorro em um Hospital Público considerado de ponta aqui em São Paulo, num bairro nobre, na maior cidade do país e da América do Sul e a quarta maior de todo o mundo.

É com muita revolta que estou escrevendo este texto, pois apesar de todas essas qualificações pessoas são amontoadas umas ao lado das outras, com dor, com as mais variadas doenças, jovens, velhos. Sujeitas a sair de lá muito pior do que entraram.

A sala de espera com cadeiras comuns e umas 3 poltronas um pouco mais confortáveis não tem ventilação, o calor é insuportável e conforme o tempo passa e aquelas pessoas ficam ali às vezes dias, sem banho, sem higiene, o ambiente se torna fétido. Pelo chão, passeando tranquilamente uma aranha marrom de tamanho considerado.

Os banheiros são dignos de um Lar Doce Lar do programa do Luciano Huck, paredes pretas cheias de mofo, portas quebradas, papel higiênico jogado por todo lado. O cheiro insuportável.

Nos corredores as pessoas estão em macas pequenas, não têm travesseiros, mas eles dão cobertores para colocar embaixo da cabeça. Imagine isso com 30 graus de temperatura ambiente.

As refeições são servidas ali mesmo e o cheiro dos banheiros mistura-se ao da comida. Água para beber, imprescindível neste calor que está fazendo tem, mas copos nem sempre. O enfermeiro avisava, “olha gente estes são os últimos copos, quem beber guarde o seu por favor”.

Eu saia de lá com o coração partido deixando uma pessoa querida sujeita a essas condições. Mas apesar de tudo havia compaixão, sorrisos, preocupação, as pessoas se ajudavam, umas tomavam conta das outras. Os médicos e atendentes em sua maioria muito atenciosos “se viravam nos trinta” para atender todo mundo. Mas a falta de estrutura é evidente.

Graças a Deus no terceiro dia de manhã meu amigo ligou que estava de alta, fiquei muito feliz por tirá-lo de lá, mesmo sabendo que não tinham resolvido o seu problema de saúde, adiado para daqui a 2 semanas quando ele precisará marcar com um endocrinologista pois está com o cálcio no sangue altíssimo, com suspeitas de hiperparatireodismo ou pior, câncer. Mas isso não tem pressa, estamos no carnaval e se não há estrutura em dias normais, imagine nessa época de muita bebida e gente aglomerada.

Acredito em Deus profundamente e mesmo que aquelas pessoas mereçam estar ali por carma ou algo parecido, acredito também com a mesma intensidade que quem rouba da saúde e da educação neste País, vai pagar caro, muito caro, sentindo na pele o sofrimento dessas muitas Marias e Josés que conheci nesse Hospital Público considerado de ponta aqui em São Paulo, num bairro nobre, na maior cidade do país e da América do Sul e a quarta maior de todo o mundo.

“Eu entendo que um homem possa olhar para baixo, para a terra, e ser um ateu; mas não posso conceber que ele olhe para os céus e diga que não existe um Deus” ― Abraham Lincoln


PS.: Peço desculpas por publicar esse desabafo neste Blog que quer sempre trazer boas notícias, mas meu pai Pedro Cozzi era uma pessoa que lutava muito pela justiça e pelo amor ao próximo.

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